sexta-feira, 13 de agosto de 2010

ESPIRITUALIDADE


É PRECISO EROTIZAR A VIDA

No Ocidente emprestamos três palavras gregas para o verbo amar: Eros,filia e ágape. Eros é o amor impulsionador da vida, dele usamos a expressão “erótico”. Filia é o amor fraterno, solidário e amigo, daí surgiu a palavra “filantrópico”. Por fim, costuma-se, principalmente nas expressões religiosas cristãs, chamar de ágape aquele amor místico, espiritual ou o próprio Deus.

Gostaria de partilhar com você, a suavidade e a sinergia que o Eros trás e sua importância para o nosso bem estar a nível pessoal e coletivo.

Poderíamos dizer que o mal estar da mulher e do homem pós-moderno, estaria relacionado à ausência de Eros, o impulso de vida que proporciona prazer no sexo, na relação familiar, na amizade, no trabalho, na escola, no lazer e na mística.

Logo de cabeça, seria preciso superar nosso tabu. Infelizmente, muitas vezes nossa compreensão, sentimento e prática do Eros, não é como força e ternura propiciadora de prazer da vida, mas apenas uma visão e práxis muito estreita, relacionando-o ao ato sexual em si ou até mesmo à pornografia. Seria preciso deixar de lado o preconceito.

Eros é impulso de vida de maneira bem ampla, sem miopia ou cegueira. Diz respeito a nossa totalidade psicossomático e espiritual e a nossa relação de cada um consigo mesmo, as pessoas, as atividades profissionais, a natureza, as artes e as culturas, o engajamento político e a religiosidade.

Sem Eros não há paixão sexual, a relação será frígida, sem fogo, moribunda. Um casal hétero ou homossexual em sua interação e expressões afetivas, destinados que somos à realização plena da sexualidade, junto com o amor da amizade e do companheirismo das alegrias e tristezas da vida, só se sustentarão, se esse impulso erótico, for uma realidade material e espiritual em suas camas.

Também na vida religiosa é preciso Eros. O livro bíblico Cântico dos Cânticos, Deus e o seu Povo “se beijam com beijos de suas bocas”. A apaixonada oração do salmista diz: “Junto de vós, ó Deus, felicidades sem limites, delícia e gozo eterno ao vosso lado”. Os escritos de Santa Teresa e São João da Cruz estão cheio de deleite e êxtase erótico místico.

Assim, o mesmo podemos dizer em relação ao trabalho. Grande parte da desmotivação profissional se deve não só a má remuneração, mas a falta de vocação, tesão. Trabalho em tal lugar por necessidade, não porque gosto da atividade. Não há nesse caso trabalho, emprego ou vocação.

Enfim, é preciso Eros para com ética e compromisso social fazer política. Como pintar um quadro, escrever um texto literário ou apresentar nossas manifestações folclóricas sem paixão? É preciso, amigo e amiga, erotizar a vida.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

DIREITOS HUMANOS

VALORES INTANGÍVEIS

Hoje, no mundo dos negócios, os chamados valores intangíveis têm cada vez mais ganhado força. Tanto para empresa, os que nela trabalham ou seus clientes, não interessa apenas, por exemplo, o petróleo do combustível que ele usa em seu veículo. Grande parte já que saber o que há por de trás do produto, ou seja, quem o produz, se a empresa tem uma atuação socioambiental responsável, se trata bem seus empregados, se estes são protagonistas no processo e não meros executores ou cumpridores de funções, se suas compras são feitas de fornecedores que respeitam a natureza e os DIREITOS HUMANOS e se ainda a empresa retorna com ações que contribuem para o desenvolvimento das comunidades em que atuam. Percebe-se aqui uma evolução muito boa, onde o valor tangível está associado aos valores intangíveis.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

ESPIRITUALIDADE


ELA OLHOU BEM NO CAROÇO DOS MEUS OLHOS

Ela chegou bem perto de mim, olhou bem dentro de meus olhos, no caroço dos meus olhos – aquela parte onde tem uma fresta, uma brecha, um janela, uma porta para alma – e disse, bem baixinho, quase sussurrando, mas como se fosse um grito: “Não, Deus não existe! É somente uma poesia para suportar esta vida de muita dor. Seja o Tupã ou Guaracy dos índios, seu padre! Também o Montubá dos orixás ogum, xangô , iansã ou iemanjá trazidos pelo sofrido povo negro da África é poesia. O senhor gosta de poesia, não mesmo seu padre? Tão pouco esse Deus de Abraão em que crêem os judeus, cristãos e mulçumanos. Odeio esse seu Deus cristão católico, só menos perverso ao das seitas fundamentalistas dos pentecostais. Seu Deus, padre, é uma droga, uma maconha, um ópio. Acreditar nele é dá um atestado de que não passa de um sarcástico, um impotente, um malvado assistindo de sua TV plasma celestial o drama, a tragédia e a comédia da existência humana. Professar minha fé em qualquer um deles, seja daqui do Ocidente ou as deidades hindus da Índia é o mesmo que confessar que ele matou meu filho. Então deixa o de fora. Assim não terá mérito nem culpa. Ainda quando cria não pedia nem agradecia pelas chuvas. Se não chovesse, sabendo Deus o que isso significa para um sertanejo, então ele é muito mau. Se chovesse, então ele é bom? Decidi que era uma questão climática e pronto. Fale alguma coisa, padre! Fale alguma coisa, desde que não seja essa outra poesia tua de que deus é um deus humilde e sofredor. No começo até que gostei da idéia, dessas tuas palavras de um deus não caricato, de um deus sem glorias, cujo senhorio e realeza são demonstrados com bacia e toalha nas mãos na santa ceia ou lava pés e não com trono, cetro real ou coroa. Sim, no começo até gostei de te ouvir falar de um deus que sofre conosco e em nós, carne de nossa carne de agonia e prazer. Um deus sem poderes, contudo solidário. Também era interessante a vitória desse deus depois de crucificado e morto vencer sem revanches, de triunfar sem triunfalismos. Ria quando dizias que se fosse um de nós seria bem provável que fossemos tirar onda com a cara dos sumos sacerdotes anás e caifás numa visita a casa deles ou numa reunião do sinedrio inteiro, sem não antes passar por pilatos e herodes quando fosse se exibir para todo mundo no templo de jerusalém. Sim, por um tempo essa vitória discreta tinha tudo a ver com quem era manso e humilde de coração. Mas até nisso também não creio mais. Meu filho morreu! E para Deus não ter problemas comigo nem eu com ele, de crente que era já não creio mais, padre. Não sou atéia nem agnóstica. O ateísmo é uma profissão de fé ao inverso e pelo avesso. Eu não professo nem de jeito nem de outro. Não afirmo nem nego. O agnosticismo, padre, é aquela indiferença onde tanto faz deus existir ou não. Pronto, padre, não sou atéia nem agnóstica. Não creio e pronto, seu padre, entendeu?

Ela me perguntou se havia entendido e nem me esperou responder. Foi embora da cidade. O que posso dizer sobre tudo que ouvi? Essa mulher tem mais fé do que muita gente aí, inclusive eu. Sua fé está cheia de perguntas. Seu relacionamento com Deus é honesto. Talvez tenha sido a pessoa mais crente que já encontrei ou aquela que perdeu a fé e se encontrou na vida.

Quanto a mim, vou por aqui, na alegria e na agonia da fé. Na consolação e desolação da fé. No claro e no escuro da fé. Nas certezas e nas dúvidas da fé. Minha fé tão pequena e tão sofrida, menor do que um grão de areia, que não move montanhas é, contudo a minha fé. Mesmo assim é minha fé.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

CULTURA

O BOI-DE-REIS E SEU JOSÉ MARCIANO DE SÃO MIGUEL DO GOSTOSO-RN

Em mil novecentos e vinte e nove quando Seu José Marciano nasceu em São Miguel do Gostoso já tinha por lá o Boi de Reis. O menino gostava de brincar outras coisas, de ajudar o pai no fruto da bondade de Deus e do trabalho humano vindos da terra e no mar.

Quando tinha onze anos Zé caiu numa doença grande para aqueles tempos, ia morrer de tuberculose. Sua mãe fez uma promessa a Deus. Nesse tempo o catolicismo rural e litoral era rico em elementos de origem africana, indígena e também lusitana. Ainda não tinha surgindo os pentecostais protestantes e católicos para demonizar a religiosidade popular católica, nem tão pouca a chamada inculturação da fé, que ainda não compreendemos direito o que é.

Assim, com uma fé pura e verdadeira a mãe disse ao filho doente: “Olha meu filho, eu fiz uma promessa. Se você ficar bom, você vai brincar o Boi de frente a Igreja”. O sacro e o profano ainda não tinham se divorciado, “... brincar o Boi de frente a Igreja”. O Boi de Reis por si só já é esse casamento maravilhoso do mundano e do divino. Nele se reza e se brinca com músicas e danças a visita dos reis Gaspar, Belchior e Gaspar ao Menino Jesus. Sendo em frente da igreja ganha a força da promessa.

José Marciano ficou bom. Tinha uma promessa para pagar. Todavia tinha um problema, o menino era encabulado, porém, esperto e inteligente. Como tinha vergonha de entrar no grupo já existente, começou a assistir as apresentações, assim meio no canto, quase escondido, prestando atenção tim-tim por tim-tim. Deste modo cada palavra e dança do Boi de Reis foi entrando pelos olhos, os ouvidos, a boca, as mãos, a cabeça, o coração e corpo todo do menino, que ainda menino, vai virando mestre. Um dia ele convida os amigos, ensina e ensaia com eles e se apresentavam em frente da igreja, curado, pagando sua promessa e começando sua vida na cultura popular no reinado do povo.

Hoje, depois de mais de cinqüenta anos, o Mestre José Marciano, continua cantando, encantado e encantando, dançando e brincando o Boi, com o Contra-Mestre Luis Pequeno, os senhores Galãs, Birica e Mateus nas ruas de Gostoso e, para não acabar o encanto, para não desencantar, encanta todos os sábados pela manha a meninada no Ponto de Cultura no Espaço Tear o que aprendeu escondido. Assim, de geração em geração a Cultura Popular vai sendo transmitida e vivida.

Recentemente, Seu José Marciano foi contemplado com o Prêmio Culturas Populares do Ministério da Cultura como reconhecimento nacional por seu trabalho de promoção da cultura popular em na Comunidade do Gostoso há mais de setenta anos.

Se você for a Gostoso certamente vai encontrá-lo no Ponto de Cultura, no Grupo da Melhor Idade ou nas praças e areias da praias brincando com seus velhos amigos ou com a meninada toda animada.


Sua benção, meu Mestre José Marciano!

segunda-feira, 5 de julho de 2010

DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO


AS RELIGIÕES E OS VALORES ÉTICOS COMUNS DE BASE

O diálogo inter-religioso é um imperativo para todas as expressões religiosas do mundo. Seja para conservar autenticamente a proposta de cada uma das religiões como espaço do encontro da pessoa com Deus ou outra prática do sagrado, consigo, com todas as mulheres e homens – especialmente os irmãos e irmãs que compartilham a mesma fé e vivência – e com o cosmos.

Encontro este norteado pelos princípios místicos, éticos e morais; bem como para ser no mundo uma presença e instrumento de promoção da dignidade da pessoa humana, da justiça, da fraternidade e da paz, do abraço do bem com o belo, comunhão ética e estética.

As religiões são assim, lugares do encontro do homem com Deus, com os seus companheiros de humanidade e uma relação de alteridade com o meio ambiente. Individual e coletivamente os seus membros deverão viver e celebrar os seus mistérios e o que lhes foi revelado dentro de seus próprios espaços sagrados no santuário do coração e da consciência e naqueles construídos como o lugar do culto. Deste modo, respeitadas todas as especificidades litúrgicas, particularidades morais e singularidade doutrinal, sem perder e anular aquilo que lhe é próprio, em meio a poucas ou muitas divergências, cada religião tem o compromisso – para apresentar-se à sociedade como boa e verdadeira – do diálogo e de ações conjuntas com as demais, a partir do ponto de convergência e matriz de todas elas que são, sem sombra de dúvidas, Os valores éticos comuns de base como a mística, o amor, a felicidade, a justiça social, a paz nos corações e no mundo.

Nesta crise mundial de valores as religiões desempenham um papel, intrínseco e obrigatório de ser no mundo um lugar do encontro com uma orientação básica, quando as mais diversas expressões de fé se reúnem para apresentar a imagem de Deus, e não sua perversa caricatura, apresentar aqueles princípios milenares acima mencionados - nem alienados nem alienantes - ao mesmo tempo tão contemporâneo e ainda a partir de suas fontes mostram-nos o verdadeiro rosto da pessoa humana, onde o homem torna-se mais homem e a mulher mais mulher, enfim, a pessoa humana mais pessoa e mais humana; Repito, ínsito e teimo: as religiões desempenham um papel, intrínseco e obrigatório, - de não obstante todas as suas contradições e apesar de todas as grandes objeções postas legitimamente pelos crentes com autocrítica aguçada, os materialistas históricos, os ateus e agnósticos por razões ideológicas, científicas, filosóficas, psicológicas e outras - de ser no mundo um lugar do encontro com uma orientação básica, como diria Hans Küng, para as grandes perguntas sobre o homem e a mulher: de onde, porquê e para quê – uma orientação básica para a vida individual e social. Sem negar a ciência, mas dialogando com ela, afirma ainda o teólogo suíço, as religiões podem apresentar sem equívocos, não um Deus contra a humanidade, mas sim como um Deus a favor da humanidade.

Podemos a partir dessas quatro premissas da religião como possibilidade do encontro da pessoa com Deus, consigo, com os outros e o cosmos, afirmar a exigência de todas elas reunidas, ser no mundo, um importante instrumento, em permanente diálogo com outros protagonistas, através do que convencionamos chamar de Diálogo Inter-religioso, para movimentar as pessoas e o mundo na busca de uma ética mundial (respeitadas toda diversidade cultural e geográfica) e na práxis da fraternidade, da justiça e da paz.

DIREITOS HUMANOS


Direitos Humanos são aqueles direitos comuns a todos os seres humanos, sem distinção de raça, etnia, nacionalidade, sexo, laço social, religião, opção política, nível de instrução, orientação sexual e julgamento moral.

Os Direitos Humanos decorrem do reconhecimento da dignidade intrínseca a todo ser humano.

Os Direitos Humanos são HISTÓRICOS (mudaram no tempo e permanecem dinâmicos, em função de determinadas conjunturas e conquistas históricas, como por exemplo, a abolição da escravidão ou reconhecimento dos direitos das mulheres); são NATURAIS (essenciais à pessoa humana, mesmo na ausência de legislação específica); são INDIVISÍVEIS E INTERDEPENDENTES (não se pode defender apenas os direitos individuais, excluindo os sociais, e vice-versa, assim como não se pode defender apenas um ou alguns dos direitos em detrimento dos outros); são RECLAMÁVEIS (diante do Estado ou outra instância pública); são UNIVERSAIS, pois independem de fronteiras e leis nacionais para serem reclamados, promovidos, defendidos e garantidos.

Os DIREITOS HUMANOS CIVIS correspondem aos direitos e garantias das liberdades individuais ou coletivas. Tem como pressuposto óbvio o fundamento de todos os direitos, o direito a vida. Inclui o direito a integridade física e psíquica, bem como os direitos e liberdades concretas para a expressão do pensamento, do culto religioso, da opção política, da defesa da privacidade, do lazer, do prazer e etc.

Os DIREITOS HUMANOS POLÍTICOS dizem respeito a democracia, que não se limita apenas ao direito de votar e ser votado, mas principalmente a uma participação efetiva da sociedade nas decisões e destinos a serem tomados, em outras palavras, a participação popular.

Os DIREITOS HUMANOS ECONÔMICOS estão fundados na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tendo por fim assegurar a todos uma existência digna conforme os ditames da justiça social, da soberania nacional, da defesa do consumidor, da redução das desigualdades regionais e sociais, da busca do pleno emprego e da defesa do meio ambiente.

Os DIREITOS HUMANOS SOCIAIS correspondem mais do que igualdade de oportunidades ao reconhecimento da igualdade em dignidade, o que concretamente, significa reconhecer os direitos indispensáveis à vida com dignidade, e não apenas à sobrevivência, ou seja, a garantia de direito em relação às necessidades básicas como saúde, educação, habitação, educação, trabalho e salário justo, seguridade e previdência, acesso à justiça, segurança pública e todos os outros direitos sociais garantidos.

Os DIREITOS HUMANOS CULTURAIS dizem respeito ao direito de todos a uma vida digna com acesso a cultura, ao desporto, ao lazer e as criações científicas e tecnológicas. Reza a Constituição que o Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais. O Estado protegerá as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras. É também dever do Estado fomentar práticas esportivas formais e não-formais, como direito de cada um. Poder Público incentivará o lazer como forma de promoção social. Também o Estado promoverá e incentivará o desenvolvimento científico, a pesquisa e capacitação tecnológica tornando-os acessível a todos.

Os DIREITOS HUMANOS AMBIENTAIS partem do pressuposto que ultrapassa a questão da preservação do meio ambiente. Mais do que preservar é preciso entender, sentir, agir e viver a realidade de que formamos um todo. Não é verdadeiro de que de um lado está a mulher e o homem e do outro se encontra a natureza e o espaço sideral. O equilíbrio ecológico consiste justamente na garantia da existência e da conservação da pessoa humana e de todos os seres vivos da fauna e da flora. Por isso, conforme a Constituição, todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem do uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade, o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.

Isso não significa ver o meio ambiente como “santuários”. A centralidade dos Direitos Humanos é a pessoa humana. Por isso a importância do chamado desenvolvimento sustentável. Onde sem agredir o meio ambiente muitas atividades econômicas podem ter um grande resultado de geração de emprego e distribuição de renda.

Por fim, os DIREITOS HUMANOS promovem a garantia dos direitos temáticos e setoriais. Os Direitos Temáticos são os direitos das crianças e adolescentes, das mulheres, dos idosos, da pessoa portadora de deficiência, dos índios, dos negros, dos caboclos, dos ciganos, dos homossexuais, etc. Os Direitos Setoriais são os direitos à educação, saúde, cultura, segurança pública, meio ambiente, assistência social e todos os outros garantidos pela luta do povo e expressos em nossa legislação nacional e internacional.

Como reflexão para uma prática dos Direitos Humanos para efetivação da Cidadania deixamos a citação de alguns documentos.

“Considerando a estreita relação que existe entre a vigência os direitos econômicos, sociais, culturais e ambientais e a dos direitos civis e políticos, porquanto as diferentes categorias de direito constituem um todo indissolúvel que encontra sua base no reconhecimento da dignidade da pessoa humana, pela qual exigem uma tutela e promoção permanente, com objetivo de conseguir sua vigência plena, sem que jamais possa justificar-se a violação de uns a pretexto da realização de outros.”

(Protocolo sobre Direitos Humanos econômicos, sociais, culturais e ambientais – OEA)

“Reconhecemos que, em conformidade com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, o ideal do ser humano livre, no gozo das liberdades civis e políticas liberto do temor da miséria, não pode ser realizado, a menos que se criem as condições que permitam a cada um gozar de seus direitos civis e políticos, assim como seus direitos econômicos, sociais, culturais e ambientais”

(Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos da ONU)

ESPIRITUALIDADE

TREVAS LUMINOSAS

Entrei na escuridão da noite e encontrei Deus vestido num manto de trevas luminosas. Encontro do seu Mistério com o meu mistério... Trevas de Deus em minhas trevas. Trevas de Deus que “habitam uma luz inacessível” ( 1 Tm 6,16). Um encontro assim torna o mistério mais misterioso, porém resplandecente, expulsando uma falsa claridade por trevas luminosa.

Ele vem ao meu encontro, “os céus Ele baixou e então desceu pousando em nuvens pretas os seus pés. Um querubim o conduzia no seu vôo, sobre as asas do vento Ele pairava. Das trevas fez um véu para envolver-se, escondeu-se em densas nuvens e água escura. No clarão que procedia de seu rosto, carvões encandecestes se ascendiam” ( Sl 17,10-13 ).

Na noite vejo Deus, “trevas e nuvem o rodeiam no seu trono... vai um fogo à sua frente... seus relâmpagos clareiam toda a terra” ( Sl 96,2 ). Agora entendo o salmista. “Se eu pensasse: ‘a escuridão venha esconder-me e que a luz ao meu redor se faça noite!’ Mesmo as trevas para vós não são escuras, a própria noite resplandece como dia, e a escuridão é tão brilhante como a luz” ( Sl 138,11-12 ). Essa frase me mexe todo por dentro em fim, ela é a minha vida espiritual, a minha vida toda: “A escuridão é tão brilhante como a luz”. Na escuridão com Davi eu canto: “Bendize, ó minh’alma, ao Senhor! Ó meu Deus e meu Senhor, como sois grande! De majestade e esplendor vos revestis e de luz vos envolveis como num manto” ( Sl 103,1-2 ).

Enquanto escrevo, Deus do céu dá gargalhadas de min se divertindo à minhas custas, pois se rir das coisas que dançam no papel aqui na terra. Ele se rir e diz: “Não é nada disso, meu Fabinho, não é nada disso!” É verdade, não é nada disso. Bem, é tudo isso que estou escrevendo, mas a experiência está no papel não estando, e não estando está. Paradoxos e contradições! Alternância harmoniosa entre mistério e revelação, conhecimento e incompreensibilidade, afirmação e negação, linguagem e inefabilidade, transcendência e imanência, noite e dia, trevas e luz.

Buscamos no estudo da teologia uma síntese entre a via apofática de uma teologia do mistério e a via catatáfica, de uma teologia afirmativa sobre Deus. Mas quando se trata de experiência de Deus, é mais certo o que a gente não consegue dizer. Se pude dizer alguma coisa, de resto se sente uma sensação do “não dito”. É certo tudo aquilo que escrevo agora mas é bem mais certo o que não disse, o que está escondido, o que não sei dizer, inexaurível, inefável, secreto, escuridão luminosa... é bem mais certo aquilo que em min é silêncio e solidão habitada pelo Mistério.


domingo, 4 de julho de 2010

PARTILHAR E INTERAGIR

Gostaria de falar como um de você mesmo. Aqui partilharemos as coisas bonitas que temos e as dificuldades que passamos. Se você reparar bem, as coisas que lhe serão ditas, virão não só de mim, mas de sentimentos e razões que vivem e falam em nós dois. Convido fraternalmente de interagir. Por aqui bailarão como no grande salão planetários a teoria e práxis em Direitos Humanos, Cidadania, Cultura, Ecologia, Política, Espiritualidade e Diálogo Inter-religioso.